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Depressão

O que é a depressão?

A depressão é um quadro clínico complexo com origem em fatores genéticos, psicológicos e ambientais. Afeta negativamente o sono, a alimentação, a capacidade para realizar as atividades diárias, os níveis de energia, a capacidade para concentrar-se e tomar decisões bem como a forma de pensar, sentir e agir. A depressão pode afetar qualquer pessoa, de qualquer idade; durar semanas, meses ou mais de um ano; ter intensidade leve, moderada ou grave; ser um episódio único ou um problema recorrente; e estar diretamente relacionada a um acontecimento. Ter depressão não é um sinal de fraqueza nem é uma condição que possa ser facilmente resolvida apenas pela própria força de vontade. Na maior parte das vezes a pessoa que tem depressão precisa de ajuda especializada para conseguir reagir, enfrentar o problema e alcançar uma melhora significativa.

Como os pensamentos influenciam na depressão?

É maneira como interpretamos uma situação ou acontecimento que influencia diretamente o que sentimos e como agimos. Na depressão há uma maior tendência para interpretar as situações e os acontecimentos de forma distorcida (pessimista, negativista, irrealista), desencadeando assim emoções desagradáveis e potenciando comportamentos desadaptativos e prejudiciais. Um psicólogo pode ajudar na identificação dos pensamentos que desencadeiam sentimentos desconfortáveis e comportamentos prejudiciais bem como compreender as razões subjacentes a essa maneira de pensar. Ao desenvolver expectativas e formas realistas de pensar e interpretar as situações e acontecimentos podemos reduzir a intensidade dos sentimentos desconfortáveis e consequentemente evitar os comportamentos prejudiciais. Para além disso, expectativas positivas e realistas promovem a motivação e favorecem a concretização das mesmas.

Como a depressão pode estar sendo mantida?

A depressão é mantida por quatro aspectos: por pensamentos (p.e., de desamparo, desamor ou menos valia), por reações fisiológicas (p.e., níveis baixos de serotonina, noradrenalina e dopamina), por comportamentos/atitudes (p.e., desistir de um projeto, isolar-se, não se cuidar) e por emoções/sentimentos (p.e., tristeza, desalento, vazio,
irritação, angústia, frustração, culpa). É imprescindível aprender a lidar com todos estes aspectos, para alcançar o alívio dos sintomas depressivos bem como para evitar recaídas no futuro. Sem uma intervenção a este nível, a depressão irá se prolongar e agravar.

Como lidar com a depressão?

Na depressão a pessoa apresenta baixos níveis de energia e disposição para realizar as tarefas. Para aumentar estes níveis de energia e disposição podemos começar com pequenos passos, utilizando a energia que estiver à disposição. Na depressão a pessoa não dispõe de muita energia, mas dispõe o suficiente para ligar a um amigo, fazer uma caminhada à volta da sua casa ou prédio onde vive, ver um filme ou fazer outra atividade mais simples. É importante não exigir demasiado de si, é normal não conseguir fazer tudo aquilo a que se propõe. Procure manter o foco e fazer uma coisa de cada vez. É essencial que seja consistente, ou seja, fazer algo todos os dias (mesmo que seja pouco). A cada tarefa realizada pode oferecer a si mesmo uma recompensa (p.e., um elogio, um tempo para relaxar). Aos poucos, cada tarefa realizada e energia gasta (aquela que parecia não ter) irá aumentar a sua motivação e gradualmente melhorar o seu estado de humor. Para além disto, é fundamental procurar a ajuda especializada de psicólogos, psicoterapeutas ou médicos psiquiatras, profissionais com competência para investigar e tratar a depressão. Um psicólogo psicoterapeuta especializado em psicoterapia cognitivo comportamental irá, por exemplo, ajudar a pessoa a lidar melhor com os problemas associados à depressão, promovendo formas de pensar cada vez mais funcionais (importantes para a melhoria da auto-estima, autoconfiança e proatividade). Também irá ajudar a pessoa a estabelecer expectativas futuras coerentes e realistas através da exploração de questões existenciais tais como “Quem sou eu?”, “Qual é o sentido da minha vida?”, “O que eu quero para mim?” e “O que eu gostaria de realizar ao longo da minha vida?”. As redes de apoio social favorecem a recuperação da depressão, pelo que, incentivamos sempre a que a pessoa procure construir relacionamentos íntimos e de confiança, os quais constituem um “antidepressivo natural”. Pessoas com fragilidades ao nível das competência de comunicação e interação social beneficiam da realização de um treino de competências sociais, o qual irá aumentar a capacidade da pessoa para se expressar apropriadamente e beneficiar os relacionamentos. O recurso ao tratamento farmacológico pode ser necessário em alguns casos, normalmente nos caso das depressões mais graves. No entanto a medicação não elimina a necessidade da psicoterapia. A meditação, yoga, atividade física regular, massagens terapêuticas, práticas religiosas e a espiritualidade constituem outras práticas apontadas pela comunidade científica como práticas importantes na redução da sintomatologia depressiva.

É possível conseguir recuperar da depressão?

É possível recuperar de uma depressão, embora não seja um processo simples ou fácil. Existem, como vimos anteriormente, várias alternativas, soluções e tratamentos que têm permitido a muitas pessoas recuperarem da depressão. Sabe-se, no entanto, que quanto maior for a adesão ao tratamento maior a probabilidade de reduzir a frequência e intensidade da sintomatologia depressiva.

Isabel Faria, OPP 23239

Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses